Copa do mundo 1994

agosto 4, 2008

E conto uma pequena história que Gaudério vai se lembrar.

Na cobertura da Copa de 94 nos EUA…Era um sábado, o fuso horário jogando contra e não me lembro como começou a história, mas estávamos eu e Gaudério tentando achar o Romário. Para minha infelicidade, Gaudério estava dirigindo. O carro, na verdade era um veículo, uma daquelas banheiras made in USA. Romário iria jogar uma pelada de futebol de praia. A banheira deslizava suave pela auto pista da Califórnia, perto de Los Gatos, onde ficava a concentração da seleção brasileira. O celular tocou e alguém da Folha avisou que era na direção contrária. Putz foi o começo do inferno.

Auto pista nos EUA não tem retorno fácil. Gaudério não teve dúvidas, fez a meia volta pelo canteiro central, de grama, e pegamos o sentido oposto. Se o CHIPS (patrulha rodoviária) da California nos pegam, desconfio que estaríamos presos até hoje e provavelmente quebrando pedra ou então sendo torturado em Guantánamo. Foi quase um atentado terrorista a maneira que Gaudério dirigiu. Eu me abaixei no banco e fiquei esperando pela sirene que felizmente nunca chegou. Ziguezagueando por todo o trajeto e cortando todo mundo, chegamos na bendita praia em que estava o Baixinho, ou o peixe , ou o famoso Romário, nesta época, o melhor jogador do mundo.

De imprensa, só eu e Gaudério, moleza. Íamos nos dar bem. Só que o peixe resolveu não jogar e ficou na arquibancada vendo a pelada na areia. Foto de frente, nem pensar, era só uma arquibancada vazia. De costas, aparecia o campo, mas não aparecia a cara do Baixinho. Eu e Gaudério preparados, pertinho e com a máquina a postos. Era só fazer e correr pro abraço. O peixe, invocado por natureza, fazendo o maior jogo duro. Eu comecei a brincar com o Gaudério e com o Romário ao mesmo tempo. Eu dizia: Gaudério chama o Romário, pede pra ele dar uma colher de chá e olhar pra gente. Falava pro Gaudério e pro Romário escutar…Ô Gaudério… chama o Romário…Ô Gaudério…pede pro Romário olhar pra gente… e com uma entonação de quem está fazendo graça mesmo. O Peixe entrou na onda e resolveu sacanear um pouco mais.” Fotógrafo é tudo traíra…fotógrafo tem é que se ferrar mermo. Se vira, faz a foto de costa mermo”. E repetia…fotógrafo é tudo traíra…tem que se ferrar.

Com sua língua presa, Romário seguia nos sacaneando. Eu retruquei e continuei: Ô Gaudério, eu falei pra não incomodar o cara…Gaudério não falava nada. Não fizemos uma foto que prestasse e ficamos por ali cercando o peixe. Romário desceu da arquibancada e foi dar uma volta ali pela praia. De longe ele avistou o seu amigo Bola. Quem conhece a peça sabe que o Bola é grande e gordo. Nesta época ele devia pesar uns 120 Kg ou mais. Bola que estava de costas não tinha visto Romário. O baixinho saiu correndo e pulou nas costas do Bola. Não sei se era para brincar com o amigo ou para nos arrumar uma foto. No fim, o Baixinho deu uma colher de chá, a foto era boa. O pequeno Romário e o grande Bola.

O único problema era encarar Gaudério dirigindo de novo, mas ele se comportou e voltou um pouco mais tranquilo.

Amigo velho, você se lembra do peixe te sacaneando? Eu me diverti muito nesse dia. Espero que você volte logo e que traga um sorriso bonito como o da Lu.

Estamos por aqui te esperando.

Um abraço fraterno.

Gaudério amigo velho, estou te esperando por aqui. Vê se não vai demorar.

Gde ab.

Claudio Versiani.
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